Tuesday, October 23, 2007

Hábitos como outros quaisquer.

Sempre que alguém discorre num chorrilho de banalidades que me ferem os ouvidos (coisa frequente, diga-se), ouço a pessoa em silêncio. E depois esbofeteio-a, pontapeio-a e esmurro-a mentalmente e em silêncio, claro. Sou uma pessoa discreta.

Está mesmo a pedir para lhe enfiar os óculos oversize num sítio que eu cá sei.

Hoje o meu ódio está todo virado para a pseudo-beta-armada-em-pseudo-moderna-com-toques-indie-e-fashion-victim-só-porque-até-acertou-na-compra-de-um-par-de-sapatos-decente-com-a-mania-que-tem-imensas-opiniões-também-elas-muito-modernas-e-irreverentes-e-que-é-publicitária-e/ou-designer-de-qualquer-merda. Há dias assim.

Friday, October 19, 2007

Boas maneiras.

As pessoas que saem de determinados locais, como de elevadores ou do metropolitano, têm prioridade. Assim dizem as boas maneiras, e eu procuro agir em conformidade. Mas na porta de uma casa de banho, dou sempre a passagem a quem entra. É que, para mim, essas pessoas terão sempre motivações internas urgentes.

Thursday, October 18, 2007

No opinion makers.

Não consigo deixar de me surpreender quando vejo que muitas das pessoas que conheço fica em pânico quando se lhes pergunta a opinião sobre determinado assunto, por mais prosaico que seja. Passa geralmente por uma forma eufemística de dar uma resposta, dizendo-se "não desgosto de", "não me parece mal", "não sou totalmente a favor", "não concordo inteiramente", e por aí.
Todas estas expressões são armaduras, atenuantes, que pretendem diminuir o grau de envolvimento, que minimizam os estragos e os protegem de ter um vínculo como o que estão a dizer. É a neutralidade politicamente correcta. Impera o descomprometimento, a necessidade de não ofender ninguém.
Parece-me que, quando se emite uma opinião não é necessariamente mau que alguém se ofenda. Pelo contrário, até. É que essa é a prova de que a nossa opinião foi entendida como uma posição clara, uma manifestação de valores que nos definem. Mil vezes isso que a analgesia do politicamente correcto.

Wednesday, October 17, 2007

Facto.

Amar o próximo como a nós mesmos pode ser um acto de crueldade quando se tem baixa auto-estima.