Thursday, August 23, 2007

Parece-me que...

Eu e o bom senso não nos estamos a dar bem.

Wednesday, August 22, 2007

Slice of past life.

Foi há alguns anos. Foi em Agosto. Foi num destino popular de férias da África do Norte. Foi à noite. Foi com um calor sufocante. Foi um jantar. Foi numa esplanada. Foi a beber um vinho rosé. Foi uma conversa fascinante. Foi a sensação inebriante do álcool misturado com o calor e com a companhia. Foi uma das melhores noites da minha vida. Foi um dos momentos em que me lembro de me sentir, mesmo no momento, verdadeiramente feliz.

Monday, August 20, 2007

Between a rock and a hard place.

Entre um café quente na cozinha ao sábado de manhã e a curva de um pescoço. Entre o conforto do calor do sol e um “que belo sorriso”. Entre uma gargalhada sentida e o telefonema do amigo certo na hora certa. Entre um verso de Ezra Pound e um deadline assassino. Entre duas horas seguidas a ler e uma massagem. Entre dançar quando estava mesmo a apetecer e um número perfeito. Entre o Meco e a Gene Tierney. Entre um copo de vinho bebido devagar e um perfume que não se esquece. Entre saudades de quem deixou marcas e uma cama feita de lavado. Entre lágrimas e uma lua de Agosto. Entre um banho quente e um encontro inesperado que nos deixa sem reacção. Entre conduzir sem pressa e um gelado de limão. Entre Bryan Ferry e uma fotografia esquecida. Entre uma impressora com personalidade e uma sesta. Entre um cocktail no bar de um hotel piroso e o silêncio. Entre tanto, vou sendo cada vez mais eu.

Thursday, August 02, 2007

Sensibilidade e bom senso

Já começou há muito a estação da Havaiana (marca registada). E dos seus parentes próximos, a chinela, a sandália, a xanata e a chanca. Quem é como quem diz, a estação do pé de fora. E que pés, senhores!
De homens e mulheres, novos e velhos, feios e bonitos, os pés estão à vista de todos.
Desde os anos 70 que não era tão socialmente aceitável mostrar os pés. Por isso a moda das sandálias e seus derivados, tornou acessível ao mundo uma realidade oculta e esquecida, qual cidade proíbida. É um caso típico de longe-da-vista-longe-do-estômago.
O estado de alguns pés que exibidos despudoradamente pelas ruas da cidade é uma verdadeira tragédia. Mais do que isso, uma calamidade pública.
Mas homens e mulheres são igualmente responsáveis pelas maiores atrocidades. E também por ambos os lados se vêem coisas verdadeiramente ofensivas para os estômagos mais sensíveis.
E falando em sensibilidade, o que se segue não é apropriado para pessoas com nervos fracos.
Calos, bolhas, feridas, unhas negras, mal cortadas, por cortar, calcanhares sujos, encardidos, rugosos. Toda esta miséria nos é exibida sem qualquer prurido na estação quente.
Eu, que sou uma pessoa sensível por demais neste aspecto, em me apercebendo da presença dos pés a olho nu, me sinto ficar tenso e nervoso.
Controlo-me para não olhar para baixo.
Aterrorizo-me ao imaginar o que pode acontecer se olhar.
Fico aliviado quando inadvertidamente olho e vejo que não há que temer.
Mas é um estado de constante sobressalto em que vivo, nesta época. Sem saber que pé me espera na próxima esquina.
Sou da opinião que os detentores desses pés agressores deviam ser responsabilizados. Se há crimes de exposição indecente e leis que os punem, alguns pés deveriam ser abrangidos pela lei. Porque andam por aí casos ultrapassam a exposição indecente, o atentado ao pudor ou o crime contra a moral pública. São mesmo crimes contra a humanidade.
Mas visto que não posso legislar, só peço, desejo e imploro por um pouco bom senso na opção pela exposição desta parte da anatomia. Não posso continuar a viver numa ansiedade e sobressalto constantes. E o meu estômago também não.