Na minha recente visita a 2 grande cidades, fiz o que costumo fazer sempre. Observar bem os seus habitantes, tentando perceber os seus hábitos, posturas e diferenças. Claro que o aspecto físico das populações me interessa imenso. E quando se viaja entre 2 cidades tão importantes e diferentes, é impossível deixar de comparar os habitantes de ambas entre si e mesmo com os de uma terceira - esta mesmo. A comparação aqui chamada diz respeito à forma de vestir, à apresentação, à elegância das habitantes dessas cidades. Parisiences vs Romanas.
A vitória é claramente das Parisienses. Para começar porque a concentração de mulheres fisicamente interessantes é maior do que em Roma. Depois, porque a sua postura é mais elegante que a das Romanas. E finalmente, porque vestem bem, sem serem óbvias nas escolhas e combinações que fazem.
Onde a Romana é espalhafato, a Parisiense é delicadeza. Quando a Romana escolhe a peça com mais logotipos do designer com o maior logotipo, a Parisiense escolhe a peça mais dificil de encontrar do designer que está prestes a ser descoberto pela Vogue. Como a Romana investe tudo os maiores óculos escuros de marca que conseguiu encontrar, nas sandálias mais altas, no dress code, a Parisiense investe nos óculos, no vestido, nas calças, na mala, no cabelo, no cinto e nos sapatos, e combina tudo isso de forma interessante e inesperada. Para ela vestir-se tornou-se um jogo de sociedade. E é muito dotada para estas famílias recompostas. Por isso, e por mais, merece claramente a vitória.
Agora, a elegância da Parisiense fez-me pensar na falta de elegância da Lisboeta. Não subscrevo a conversa do costume de que “a mulher portuguesa veste-se cada vez melhor”. A única coisa que posso fazer é dizer que a mulher portuguesa não se veste cada vez pior. Mas veste-se mal. A cor preferida é a cor-de-burro-quando-foge. Veste o que não deve, onde não deve. Tem uma tendência natural para escolher a peça mais desadequada às suas formas. Nem tenho tempo ou coragem para falar dos sapatos.
E a combinação de tudo é banal, senão mesmo inexistente.
Mas temos que dar graças aos céus pela Zara e H&M, para que o cenário não seja ainda mais cizento.
No entanto, há excepções.
E a excepção que escolhi podia facilmente ser confundida com uma Parisiense elegante. Mas, mais do que ser uma mulher elegante, considero que a excepção que escolhi é um verdadeiro ícone de moda nesta cidade. Numa multidão de mulheres de cizento há uma que se destaca. Mesmo quando usa cizento.
Não se dá o caso de ela ser uma mulher estravagante e espampanante que atrai todos os olhares onde passa. Nem me parece que ela queira. Ela não é esse tipo de mulher. Ela não é um tipo de mulher.
Ela vestia vintage quando ainda era só roupa em segunda mão. Ela calçava Miu Miu quando ainda ninguém sabia o primeiro nome da Sra Prada. Ela já usava óculos de sol “oversized”, ainda a Nicole Ritchie não era anoréxica. Ela já sabia do fascínio de uma mala, ainda a pouca gente sabia pronunciar Balenciaga.
Porque ela faz “fashion statements” quando os outros fazem apenas depoimentos irrelevantes. E quando a moda faz vítimas, não vale a pena procurar o seu nome na lista de baixa porque não vai estar lá.
Além disso ela é uma mulher interessante. Que faz coisas interessantes. Que conhece gente interessante. E que se veste de uma forma muito interessante.
Ela não tem “qualquer coisa”. Tem muita coisa.
Mas, devo explicar, que considero que não basta o vestido certo na situação certa para se ser um ícone de moda. É preciso saber falar usando o “maravilhoso silêncio do vestuário”, como disse Yves Saint Laurent. Um ícone de moda é alguém cuja imagem resiste ao teste do tempo. Mas que ao mesmo tempo está sempre ligado ao espirito de uma época. É um nome que evoca automaticamente uma imagem de estilo.
O nome é Maria João Sopa.