Wednesday, May 31, 2006

Muralha 2

A cidade divide-se entre os que conduzem um Citroën Saxo azul metalizado e os que gostavam de conduzir esses condutores e respectivas conduções ao degredo.

Tuesday, May 30, 2006

Muralha

A cidade divide-se entre as pessoas que dizem que uma receita está "muito saborosa" e as que preferiam ter a língua cortada.

Wednesday, May 24, 2006

A mulher mais bem vestida da cidade

Na minha recente visita a 2 grande cidades, fiz o que costumo fazer sempre. Observar bem os seus habitantes, tentando perceber os seus hábitos, posturas e diferenças. Claro que o aspecto físico das populações me interessa imenso. E quando se viaja entre 2 cidades tão importantes e diferentes, é impossível deixar de comparar os habitantes de ambas entre si e mesmo com os de uma terceira - esta mesmo. A comparação aqui chamada diz respeito à forma de vestir, à apresentação, à elegância das habitantes dessas cidades. Parisiences vs Romanas.
A vitória é claramente das Parisienses. Para começar porque a concentração de mulheres fisicamente interessantes é maior do que em Roma. Depois, porque a sua postura é mais elegante que a das Romanas. E finalmente, porque vestem bem, sem serem óbvias nas escolhas e combinações que fazem.
Onde a Romana é espalhafato, a Parisiense é delicadeza. Quando a Romana escolhe a peça com mais logotipos do designer com o maior logotipo, a Parisiense escolhe a peça mais dificil de encontrar do designer que está prestes a ser descoberto pela Vogue. Como a Romana investe tudo os maiores óculos escuros de marca que conseguiu encontrar, nas sandálias mais altas, no dress code, a Parisiense investe nos óculos, no vestido, nas calças, na mala, no cabelo, no cinto e nos sapatos, e combina tudo isso de forma interessante e inesperada. Para ela vestir-se tornou-se um jogo de sociedade. E é muito dotada para estas famílias recompostas. Por isso, e por mais, merece claramente a vitória.
Agora, a elegância da Parisiense fez-me pensar na falta de elegância da Lisboeta. Não subscrevo a conversa do costume de que “a mulher portuguesa veste-se cada vez melhor”. A única coisa que posso fazer é dizer que a mulher portuguesa não se veste cada vez pior. Mas veste-se mal. A cor preferida é a cor-de-burro-quando-foge. Veste o que não deve, onde não deve. Tem uma tendência natural para escolher a peça mais desadequada às suas formas. Nem tenho tempo ou coragem para falar dos sapatos.
E a combinação de tudo é banal, senão mesmo inexistente.
Mas temos que dar graças aos céus pela Zara e H&M, para que o cenário não seja ainda mais cizento.
No entanto, há excepções.
E a excepção que escolhi podia facilmente ser confundida com uma Parisiense elegante. Mas, mais do que ser uma mulher elegante, considero que a excepção que escolhi é um verdadeiro ícone de moda nesta cidade. Numa multidão de mulheres de cizento há uma que se destaca. Mesmo quando usa cizento.
Não se dá o caso de ela ser uma mulher estravagante e espampanante que atrai todos os olhares onde passa. Nem me parece que ela queira. Ela não é esse tipo de mulher. Ela não é um tipo de mulher.
Ela vestia vintage quando ainda era só roupa em segunda mão. Ela calçava Miu Miu quando ainda ninguém sabia o primeiro nome da Sra Prada. Ela já usava óculos de sol “oversized”, ainda a Nicole Ritchie não era anoréxica. Ela já sabia do fascínio de uma mala, ainda a pouca gente sabia pronunciar Balenciaga.
Porque ela faz “fashion statements” quando os outros fazem apenas depoimentos irrelevantes. E quando a moda faz vítimas, não vale a pena procurar o seu nome na lista de baixa porque não vai estar lá.
Além disso ela é uma mulher interessante. Que faz coisas interessantes. Que conhece gente interessante. E que se veste de uma forma muito interessante.
Ela não tem “qualquer coisa”. Tem muita coisa.
Mas, devo explicar, que considero que não basta o vestido certo na situação certa para se ser um ícone de moda. É preciso saber falar usando o “maravilhoso silêncio do vestuário”, como disse Yves Saint Laurent. Um ícone de moda é alguém cuja imagem resiste ao teste do tempo. Mas que ao mesmo tempo está sempre ligado ao espirito de uma época. É um nome que evoca automaticamente uma imagem de estilo.
O nome é Maria João Sopa.

Tuesday, May 16, 2006

Gods and Friends

Eu sei que é de culto. Eu sei que todos lá vêem um pedaço de si. Eu sei que toda a gente, homem ou mulher, pensa que é a Carrie Bradshaw. Mas o que eu admiro mesmo na série O Sexo e a Cidade, não são os textos, os cenários ou os Manolos. É a maneira como a relação entre 4 amigas é apresentada. O que para muita gente redefiniu a maneira como se pensa, fala e faz sexo, para mim redefiniu a maneira como eu penso a amizade próxima. Toda a gente sabe o que faz um amigo e o que um amigo faz por nós. Sabe que os amigos são a família que se escolhe, são mais importantes que os amantes, namorados e maridos, ect, etc. Nessa série de televisão, vi a amizade como eu gostava que ela fosse sempre. Sem julgamentos, com confiança, sem competições, com intimidade, sem protocolos, com inteligência e sem medos.
Graças a essas 4 mulheres dei por mim a pensar se ando a usar a palavra amigo com demasiada liberdade.
Sei que há graus de amizade. E há categorias de amizade. Obviamente toda a gente já usou a palavra amigo para falar de um conhecido. Claro que há esse tipo de “amigo” e depois há os amigos mesmo. Aparentemente.
Há amigos para umas coisas. Outros para outras. Há amigos para jantar. Há outros em que só dá para almoçar. Há amigos com que eu falo do filme do Douglas Sirk que mais gosto. Outros que não sabem, nem querem saber de quem falo. Há amigos com quem falo de trabalho. Outros com quem falo de tudo menos de trabalho. Há amigos que só fazem coisas interessantes, outros que me interessa tudo o que fazem. Há amigos que estão na lista “em caso de emergência”, há outros que evito nas emergências.
Mas, categorias à parte, até há pouco tempo estava convicto que todos tinham algo em comum. Para mim, os meus amigos tinham características excepcionais. A sua inteligência, sensibilidade e carácter faziam-me crer que nunca podiam errar. Por isso, quando o faziam, ficava supreendidíssimo, ofendidíssimo e tristíssimo. Sim, errar é humano. Mas eu achava que os meus amigos estavam acima dos meros mortais. Mas já não acho.
Achando sempre que a amizade é a força mais forte, apostei o máximo nos amigos.
E em alguns casos perdi.
Mas é preciso mais do que isso para me fazer perder a vontade de voltar a jogar. Percebi que é só uma questão de apostar o valor certo.

Tuesday, May 09, 2006

Verdade

Não acredito que toda a gente tenha opiniões. Alguns têm apenas blogues.

Fim de pausa

Estou de volta e não só matei a sede, como quase me afoguei. Só uns momentos para me recompor e "a Seca" volta ao seu normal funcionamento.